"Voce pode espancar, machucar, ferir com palavras, aquele alguem que te perturba, aquele alguem vitima da vida, de uma vida desgraçada e infeliz. Voce pode feri-lo com sua lingua venenosa, pode acorrenta-lo no proprio pesadelo de fracasso. Era um fracasso. Era um ser tao frágil. Uma criatura quase indefesa. Só mais um vitima dessa grande escuridão que chamamos de vida. Era vivo... quase, talvez um morto vivo, zanzava para lá e para cá, sendo abusado por outros fracassos, outras vitimas da vida como ele. Não falava, sentávamos em um lugar e bebíamos para poder falar, nao falávamos, nos exaltava-nos. Absurdamente exaltados.
Era vivo ficava a noite inteira falando, as vezes ate chegava chorando. Ele era uma marionete da vida. Ele era um morto que andava. Era um incompreendido. Se desvaneceu, a vida o destruiu.
Hoje pertence a um imenso jardim solitário e tranquilo, algo que ja esperava e nao aguentava mais esperar. Ele falava muito nesse jardim, sempre falava que ia para la cedo demais, falava rindo, com um sorriso infeliz e triste de orelha a orelha. E acertou. Hoje não esta mais aqui aquele que um dia fracassou. Costumam dizer que para tudo há uma saida, será? Enquanto há vida sempre haverá ódio, sempre haverá prejuízos, depois vemos quantos erros ... Meu Deus, quanto erro, quanta raiva, quanta inveja, quanto odio, quanta tristeza, meu Deus, quanta tristeza, há alguma palavra que traduz melhor a tristeza para poder me expressar melhor? O amor existiu, o vejo agora, quanto ele é forte, mas antes a raiva, a imperatriz da vida humana, a real inimiga, nos cega e nos trancafia dentro de uma cela selvagem, de uma estampa errônea, nos tinge da cor que nao somos, nos prende dentro do amargor. Somente temos isso, o amargor, e agora nos resta secar as lagrimas com o pó que sobrou. Agora me resta chorar pela falta de empatia. Era um ser fedido, era como as estrelas, brilhavam longe de mais para poder clarear meu vazio. Era aquela imundice que ninguem queria estar perto, quem dera agora poder cheirar seus restos mortais... Quem dera agora poder lhe pedir perdão.
Voce pode espancar, machucar, ferir com palavras, para aliviar sua tensão. Pobre de mim, pobre de nos. Sou o ser maldito, sou um ser desgraçado. Talvez a morte foi para este a tranquilidade que a vida nunca permitiu. Para sempre calado na sua inexistência."
Priscila F
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